destaque Jogos pc Reviews e análises xbox one

Resident Evil 7: Biohazard | Análise Completa

Resident Evil 7 Biohazard é o mais novo título da franquia e foi desenvolvido e publicado pela Capcom para PC, Xbox One e Playstation 4. Com foco em sua ambientação sinistra, o título conta com modo de jogo em primeira pessoa que possibilita uma experiência de imersão inédita até então na série.

 

História   

O jogador assume o papel de Ethan Winters, que parte em busca de sua esposa Mia desaparecida há 3 anos. Ele a encontra em uma mansão abandonada no interior de Louisiana onde acaba por conhecer os macabros membros da família Baker. A história começa devagar e trazendo mais perguntas do que respostas. Conforme se desenrola a trama, cabe ao jogador utilizar as pistas espalhadas pelo ambiente para ligar os pontos da narrativa. Aos poucos, elementos do passado de algumas personagens vem à tona elucidando de maneira convincente os acontecimentos.

Apesar de alguns pontos que parecem forçados demais e que contrariam todo o ambiente de realismo que foi construído, a história ainda cativa e convence. O personagem principal é fraco e sem carisma mas a história que o cerca e a força que outras personagens têm equilibram essa fraqueza e tornam o resultado final positivo. Essa ausência de personalidade no personagem principal pode ser considerada uma estratégia para imergir mais ainda o jogador. Em momento algum é possível ver o rosto de Ethan e detalhes de seu passado não são contados propositalmente para que o jogador consiga assumir completamente o papel do protagonista do jogo, imergindo indiscutivelmente no jogo.

O jogo se encerra com algumas explicações, mas nem tudo fica claro. Os detalhes mais próximos de Ethan e Mia, bem como aqueles que envolvem a família Baker, são explicados de forma satisfatória mas o jogo faz questão de abrir espaço para especulações e futuros desenvolvimentos da trama.

Jogabilidade

A câmera em primeira pessoa é sem dúvida o destaque em termos de jogabilidade que o título apresenta. É essa mudança de perspectiva que permite que a atmosfera tão bem trabalhada do jogo seja recebida em sua plenitude pelo jogador. Mas nem tudo são flores para Resident Evil 7. As constantes barreiras invisíveis e objetos com os quais não se pode interagir resultam em frustrações e quebra do realismo e fazem com que nos questionem o porquê dessa desatenção à esses elementos, principalmente porque o jogo exige e recompensa exploração.

O jogo apresenta uma estrutura linear bem demarcada e novas mecânicas são adicionadas a cada novo arco da história. Esses arcos narrativos são tematicamente distintos e essas mudanças são muito bem vindas já que impedem com que o jogador se sinta entediado. A dose extra de novos elementos e o novo contexto em que foram introduzidos não permitem que a experiência se torne repetitiva.

Avançar no game significa resolver pequenos puzzles que são bem simples e às vezes podem ser meio chatos. Apesar disso, o clima absoluto de terror, bem como o constante incentivo à exploração podem fazer com que esse aspecto passe despercebido. Além disso, fãs de carteirinha da série encontrarão easter eggs em todos esses quebra-cabeças trazendo sentimentos de nostalgia durante todo o jogo.

Falando em exploração, Resident Evil 7 é um jogo que recompensa constantemente jogadores curiosos e exploradores: trechos da narrativa, itens e suprimentos podem ser encontrados em todo o jogo. Vale a pena gastar um tempo explorando cada novo ambiente em busca de recompensas.

O combate infelizmente não merecem nenhum prêmio. Em Resident Evil 7, os monstros são lerdos e sua inteligência artificial é questionável. Basta fechar a porta e você está salvo. Isso reduz a dificuldade e o realismo do jogo. Além disso existem poucas variações de inimigos para enfrentar e o combate rapidamente se torna repetitivo e cansativo. Os jumpscares não vão deixar de existir, mas é certo que os inimigos ficarão batidos muito rápido.

Aprimoramentos como armas melhores ou mais vida podem ser obtidos em uma espécie de loja que pode ser encontrada em alguns momentos do jogo. Para conseguir esses itens, o jogador deve coletar as diversas moedas antigas espalhadas por todo o jogo. Essa nova camada adicionada ao jogo aumenta sua dimensão bem como as possibilidades viáveis durante o percurso do jogador além de servir para incentivar a exploração, que por sua vez aumenta o peso da questão do terror psicológico e da sobrevivência. Nessa hora o jogo conta bastante com elementos antigos da franquia para sua construção: os pontos de save, o inventário e os próprios itens são reconstruções adaptadas para o novo título da série.

Muito da jogabilidade é afetada pela questão da sobrevivência. Os recursos são escassos e em muitos momentos você se vê obrigado a fugir de uma batalha para poupar munição. Soma-se a isso ainda o fato de que seu inventário é pequeno e o micro gerenciamento pode ser a diferença entre ter munição suficiente ou frascos de vida suficiente para avançar no jogo. Sempre vale a pena salvar itens que não forem ser usados nas diversas caixas que podem ser encontradas em pontos de save.

Gráficos

Com a criação da RE Engine desenvolvida exclusivamente para o sétimo título da série Resident Evil, a Capcom foi capaz de trazer para a sequência gráficos fotorrealistas e utilizar tecnologias inovadoras como realidade virtual e fotogrametria. Grande parte do sucesso da experiência aterrorizante presenciada em Resident Evil 7 se deve ao visual do jogo. Em particular a iluminação e os reflexos se mostram pontos fortes do título. O motor gráfico com certeza foi bem polido nesse aspecto pois os desenvolvedores tinham total controle de como utilizar sombras e luz para guiar o jogador e ajustar o clima e velocidade do jogo. Temos também a coloração da tela é alterada através de overlays conforme o jogador avança na história e novos arcos narrativos são alcançados. Assim, cada parte do jogo tem uma identidade visual que lhe é única e foi sempre tratada com muito cuidado.

As texturas também têm papel importante na construção do fotorrealismo, principalmente à distância. Devido a sua baixa resolução, conseguem ser bonitas quando vistas de longe mas quando observadas de perto vão realmente te fazer sentir estar jogando Resident Evil nos anos 2000. Um ponto com certeza muito negativo que deveria ter tido maior atenção já que a perspectiva em primeira pessoa exige do jogador chegar bem perto de elementos do cenário, deixando em evidência texturas de qualidade inferior. Esse cuidado pode ser observado em Outlast 2, por exemplo, onde as texturas, de maneira geral, possuem resolução compatível com a perspectiva da câmera e assim não depreciam a experiência final.

 

O world building do jogo é convincente e bem feito. Infelizmente, esbarra em bobeiras que poderiam ter sido evitadas com um pouco mais de cuidado como a baixa variação de objetos que acabam sendo repetidos durante o jogo todo e que muitas vezes, nem textura têm. Dá pra ver que a equipe de desenvolvimento esqueceu de considerar alguns detalhes pequenos mas que agregam muito na imersão e na coerência interna do jogo e que se tornaram mais relevantes devido à mudança de perspectiva.

Sonoplastia

Os sons do jogo são bons e de acordo com a proposta de criar um ambiente de tensão. Vários elementos do cenário se movem produzindo barulhos e o som ambiente costuma ser baixo e pouco frequente, mas acerta em cheio ao criar um clima denso. O tratamento utilizado no som também é de boa qualidade: há uma diferença clara entre como o som ocorre dentro de ambientes confinados e em ambientes abertos, devido aos tratamentos de eco e reverberação. A geração e tratamento do áudio no jogo foi feito de maneira cuidadosa o que imprime no título uma marca própria que é muito condizente com a proposta de horror. Além disso na maior parte do jogo você está sozinho e tudo que escuta são rangidos e barulhos estranhos. Isso cria uma atmosfera de paranoia da qual é difícil de escapar.

No geral, a música é pouco utilizada durante o jogo, limitando-se apenas para momentos de maior tensão na história como batalhas ou pontos de clímax. Apesar de ser pouca, a música nunca falha em imergir ainda mais o jogador. O uso de percussão durante certas situações ajuda a criar uma experiência de terror puro, mesmo que o jogador esteja focado e não preste atenção.

O título não conta com dublagens em português e os jogadores precisarão se contentar apenas com legendas. Mas tudo bem porque o trabalho de voz é excelente. Os atores conseguiram trazer vida aos personagens de uma maneira incrível. Desde as cenas calmas de conversa até momentos de tensão e terror absolutos, a dublagem e a atuação estão em dia.

Conclusão

Resident Evil 7 causou medo em alguns que acreditavam o título se desviaria demais da proposta e seria irreconhecível como um jogo da saga Resident Evil. Contudo, a Capcom soube como entregar uma experiência de terror inserida de maneira brilhante no contexto do universo da série. Com mecânicas simples, visuais e áudios aterradores e uma imersão profunda, Resident Evil 7 mostra toda sua força e com certeza irá figurar na lista dos melhores jogos de terror do ano.

  • Compartilhe: