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Inside | Análise Completa

Inside é um jogo plataforma 2,5D de solução de puzzles criado pela desenvolvedora dinamarquesa Playdead. Aclamado pela crítica e nomeado à mais de 40 prêmios, o jogo foi criado através do motor gráfico Unity para Xbox One, Playstation 4 Microsoft Windows. Se você ainda não viu nada a respeito do jogo, dá só uma olhadinha no trailer:

História

A história de Inside segue os padrões criados no primeiro título da desenvolvedora, Limbo. O jogo não possui narração, diálogos, cut-scenes e nenhuma forma de exposição explícita do seu conteúdo narrativo. Ao invés dos métodos convencionais, Inside conta com exposição intrínseca de enredo através da construção de mundo. Isso significa que o contexto do jogo e a história só podem ser completamente compreendidos através de uma análise dos elementos que são mostrados nos cenários e na forma como você interage com o mundo no decorrer do jogo. Inside faz isso de forma brilhante: a mudança nos cenários realmente comunica algo ao jogador. A progressão entre os diversos estilos dos pequenos arcos que compõe o jogo é perfeitamente conectada de forma a transmitir de forma inequívoca a mensagem sombria e de desesperança de um mundo decaído.

Fica claro que Inside é sobre a história de um garoto sem nome tentando sobreviver em um mundo distópico. Mas sem uma análise maior, é possível que você perca o real sentido dessa busca. Não comentaremos detalhes da história já que grande parte do jogo é a criação da própria história através da observação. Mas acreditem que Inside é mais do que mostra e contém sim um contexto tangível em termos de narrativa bem como um grande significado metafórico por trás de seu enredo minimalista e oculto.

Jogabilidade

Inside é um puzzle-plataformer simples mas criativo. Em relação ao primeiro jogo da franquia trás melhorias consideráveis. O jogador deve avançar e para isso precisa primeiro resolver certos quebra-cabeças. Nada das mecânicas do jogo, isto é, das regras do mundo, são explicadas ao jogador. Você as descobre enquanto tenta entender o que fazer. Inicialmente isso pode parecer extremamente cansativo e possivelmente frustrante, mas considerando que a equipe de Inside foi extremamente feliz na construção do mundo e na localização de seus elementos de path highlighting (que são muito comuns) o jogo tem uma fluidez natural. Soma-se à isso o fato de que o jogador tem pouca interação com objetos do mundo podendo apenas escalá-los e arrastá-los e você tem um jogo simples que não sobrecarrega o jogador com mecânicas rebuscadas com único propósito de acrescentar uma falsa camada de conteúdo.

Em muitos aspectos, Inside se assemelha à Ico em termos de game design. É possível perceber influência do que Fumito Ueda chama de design por subtração: o minimalismo toma conta do título e apenas aquilo que de fato enriquece o propósito do título permanece. Tudo que é supérfluo é removido e o que resta é uma experiência pura.

Os puzzles que são encontrados durante o jogo são em sua maioria divertidos e seguem o esquema de Limbo: para aprender a fazer algo você deve primeiro tentar e falhar. Infelizmente, apesar de serem bem criativos e contarem com mecânicas diferentes devido ao universo temático proposto, puzzles podem se tornar maçantes já que as vezes se repetem e as vezes são pouco desafiadores.

Gráficos

Para criar um ambiente mais realista, a Playdead utilizou o conceito de perspectiva três quartos (3/4). Isso permitiu maior variedade de movimentação de câmera que se traduz em formas diferentes de apresentar os puzzles do jogo, bem como contribui para a ambientação do universo apresentado uma vez que permite que artistas trabalhem de forma diferenciada com elementos do background.

Dotados dessa forma de apresentar o mundo de Inside, a equipe artística conseguiu de forma majestosa alcançar a exposição intrínseca que a narrativa precisava para ser comunicada. Esse casamento interdisciplinar é um dos principais responsáveis por tornar Inside um título tão sólido.

A apresentação do mundo é melancólica e isso se reflete na paleta de cores utilizada. Grandes porções do mundo são monocromáticas e a ambientação é feita praticamente através da mistura de tons de cinza diferentes. Em certos momentos, outras cores são usadas, em especial o vermelho, para chamar a atenção dos olhos e servir de guia para o jogador.

A iluminação do jogo também é um forte elemento gráfico que marca presença. Sua utilização ajuda a criar os ambientes lindos do título, bem como a ditar o ritmo emocional do jogo que acaba se estendendo para o jogador. Além disso, a atmosfera é construída com a utilização de uma névoa volumétrica que está presente em quase todos os momentos. Tudo isso cobre os modelos 3D criados com o software Maya e que utilizam técnicas de poucos polígonos, tanto para poupar processamento quanto para criar a sensação de mundo.

Os filtros de pós-processamento também são utilizados de maneira exemplar. Blue noise foi aplicado à diversos elementos o que resulta em uma espécie de granulação na tela, bem como um certo borrado, que harmonizam muito bem com a temática proposta. Com isso, o jogo se mantém estável acima dos 60fps nos consoles devido à menor necessidade de processamento para calcular as sombras, por exemplo, além de contribuir perfeitamente com a criação da atmosfera macabra.

Sonoplastia

A música do jogo foi lapidada cuidadosamente para criar um clima de tensão e mistério, que juntamente com o reforço dos elementos visuais, criar uma paisagem sonora assustadora. Assim, a música ajuda a ambientar o jogador no universo sinistro de Inside, que conta com mortes violentas uma certa dose de depressão e claustrofobia. Em parte, isso foi alcançado graças à técnicas bizarras, como gravar os áudios do jogo com uma caveira. A explicação completa você pode ler aqui.

O Sound Design em Inside também foi criado com muito cuidado. A Playdead aprendeu com os erros cometidos em Limbo e colocou todo seu aprendizado no jogo. O som das passadas se alinham perfeitamente à animação do garoto, assim como o som do tecido de sua roupa. Ao correr, ele fica cansado e isso é perceptível no som de seus batimentos cardíacos e também em sua respiração. Interessante é o atento aos detalhes: mesmo depois que parou de correr, o garoto ainda respira pesadamente, como se estivesse se recuperando da corrida.

Os inimigos em Inside também possuem uma assinatura sonora particular. Uma ressonância específica em seus elementos de áudio, bem como uma distorção na música, tornam cada encontro mais épico. Em um certo momento, um inimigo específico trás consigo sons de sussurros que rapidamente se transformam em um grito assustador.

Todos esses elementos receberam tratamentos de pós-processamento similares à música, o que resulta na criação de elementos auditivos coesos e que trabalham juntos para criar a mesma sensação.

Conclusão

Inside é um jogo que promete agradar à todos os fãs do gênero. Se você gostou de Limbo, com certeza deve se aventurar com o garoto de camisa vermelha. Apesar do minimalismo narrativo, o jogo possui elementos escondidos que devem aumentar o fator de replay para aqueles interessados em ir mais a fundo no universo do jogo. Isso ajuda a compensar a curtíssima duração do jogo, que não deve passar muito de 4 horas. Apesar disso, Inside é um título primoroso que vale a pena ser experimentado. E se você gostou de Limbo e de Inside, fique tranquilo! A Playdead já anunciou que está trabalhando em um próximo jogo.

 

9 /10
  • Atmosfera bem trabalhada
  • Trilha sonora de primeira
  • Narrativa minimalista ótima
  • Mecânica repetitiva
  • Puzzles costumam ser fáceis

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