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Hellblade: Senua’s Sacrifice | Análise Completa

Hellblade: Senua’s Sacrifice é um jogo singleplayer de ação eletrônico desenvolvido pelo estúdio britânico Ninja Theory para Microsoft Windows e PlayStation 4. O estúdio é famoso por jogos como DmC: Devil May Cry e Enslaved: Odyssey to the West.

O jogo foi anunciado inicialmente em uma conferência da Sony em 2014 durante a GamesCom e foi lançado em 8 de agosto de 2017 na Steam (R$55,99) e na PSN (R$ 91,90) depois de complicações e atrasos.

 

Viagem ao inferno viking

O jogo segue a mesma linha temática do futuro God of War: a mitologia nórdica. Em Hellblade: Senua’s Sacrifice, o jogador assumirá o papel da protagonista Senua, uma guerreira celta que passa a sofrer de alucinações e distúrbios psicológicos após uma invasão viking (os homens do norte, como são referidos no jogo). A trama gira em torno da aventura de Senua ao submundo viking em busca da alma de seu amado. Cinemáticas são frequentes uma vez que o título tem grande foco em sua narrativa.

A exposição da história é feita de maneira muito ousada: vozes na cabeça da personagem ajudam a explicar o passado. Além disso, existem monumentos que contam passagens da mitologia nórdica para os amantes do assunto. O ambiente, em particular, não possui grande papel na exposição da narrativa, este costuma ser modelado principalmente de acordo com a necessidade de level design, apesar de estar alinhado com o estilo nórdico.

A protagonista tem seu passado exposto de maneira lenta de forma a intrigar o jogador a continuar a aventura. Ela é bem desenvolvida e a força do elo entre jogador e personagem é tão grande que fará você se identificar com Senua.

 

Entre combates e puzzles

As mecânicas do jogo são minimalistas e significativas no contexto do universo temático. Você resolverá puzzles com frequência para avançar. Infelizmente, o ritmo do jogo não é para todos uma vez que é possível que alguns jogadores sintam que o jogo é extremamente repetitivo e lento. Existe uma ausência de grandes sequências de ação. Os puzzles costumam ser fáceis mas, em alguns momentos, podem chegar a ser frustrantes porque o jogo exige que você esteja em determinado lugar em determinado momento.

O combate não é exatamente o foco do título. É simples mas bem executado. Você tem um ataque rápido, um ataque pesado, defesa e a possibilidade de esquivar. É possível executar alguns poucos combos simples. Não há barras de vida e o jogador fica sabendo de sua vida (assim como a dos inimigos) pelas vozes. Quando um inimigo te ataca pelas costas e uma voz grita “atrás de você!” a sensação é de que a voz está realmente na sua cabeça. Você se torna, naquele momento, a personagem principal. Esse nível de identificação não é fácil de alcançar em um jogo.

O título ainda conta com um sistema de morte permanente que está de acordo com o universo do título. A cada morte, a loucura da personagem aumenta, consumindo seu braço direito. Uma vez que a insanidade chegue na cabeça de Senua, a personagem morrerá e todo progresso é perdido.

Insanidade visual

Hellblade: Senua’s Sacrifice é belo! Toneladas de efeitos especiais de pós-processamento foram utilizados para garantir ao jogo seu clima de loucura e insanidade. Tudo é visto através dos olhos de Senua e daí a importância desses efeitos no título. A insanidade da protagonista é transmitida de maneira visualmente clara e muito condizente com a temática e o contexto envolvido.

A atenção aos detalhes e à iluminação – os reflexos, em particular – marcam presença no ambiente visual e tornam a experiência muito agradável. Todos esses elementos (em especial a iluminação combinada com a coloração) fornecem dicas do momento emocional e da sanidade da personagem. Mas nem tudo são flores. O título conta uma quantidade grande de texture popping e texturas de baixa resolução. Além disso, efeitos de pós-processamento causam queda no FPS com uma frequência alta.

 

Escute as vozes!

As vozes que Senua escuta durante todo o jogo são de fato um diferencial do título. Elas estão lá tornar a loucura da protagonista mais real, expor de maneira não trivial a história e até guiar o jogador de maneira sutil durante os puzzles e combates. Elas tornam a insanidade algo quase tangível. Em vários momentos elas são tantas que você ficará perdido e até aflito. Mas esse é o objetivo. O jogo foi criado com auxílio de cientistas que estudam doenças mentais e o estúdio quis passar isso da maneira mais fiel possível. Porém não se assuste, elas se incorporam ao jogo de maneira excelente. O ponto negativo, porém, é que o jogo não está dublado em português e muitas legendas estão faltando. Jogadores que não se sentem confortável com o inglês infelizmente perderão parte dessa experiência. Mas escute as vozes e tudo ficará bem.

A música foi criada por Andy LaPlegua, da banda norueguesa Combichrist. Ela não aparece com frequência no título, é mais usada para enfatizar certas passagens e conta com clara inspiração em músicas nórdicas antigas uma vez que é agressiva e bastante tribal com ênfase em instrumentos como tambores e surdos. Fica claro que ela é bem executada e assertiva em sua função: transmite bem os sentimentos que sempre estiveram em acordo com o momento da história.

Além disso, os sons ambientes são extremamente bem executados. O título é um dos pouquíssimos que usam sons binaurais, então jogue com seus fones de ouvido! O áudio foi extremamente bem executado e, além de ajudar o jogador durante sua jornada, ao utilizar tecnologia de ponta é capaz de fornecer efeitos incríveis.

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Hel ou Valhalla?

Valhalla, com certeza. A Ninja Theory consegue introduzir o jogador dentro da cabeça da protagonista. Você vê o que ela vê, sente o que ela sente e até mesmo sofre com a insanidade, como ela. A empatia é automática. O jogo possui uma atmosfera de insanidade que é extremamente convincente e envolvente. Seu preço ainda é um diferencial e, apesar de curto, com certeza é um jogo que vale a pena adicionar à sua coleção!

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