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Análise Completa | Stick Fight: The Game

Dos simplórios tempos em que estávamos apenas dando nossos primeiros passos e desenhando nossos primitivos traços, às épicas cenas de lutas distribuídas pela internetos bonecos-palito estavam presentes em nossas vidas. Contendo traços simples, muitas vezes rápidos e inexpressivos, seu conjunto se transformava em uma expressão interna simplória de nossas emoções e sentimentos, traços firmes ou leves podiam ditar nossa personalidade, expressar nossas ambições e desejos. Seu olhar profundo, calmo e parado (quando existisse), se fixava e nos fazia divagar infinitamente sobre nossos pensamentos mais profundos e aleatórios sobre aquele olhar vago.

A facilidade de sua representação, bem como sua simplicidade, nos trouxe Stick Fight: The Game. Desenvolvido pela Landfall West, o jogo lança até quatro jogadores simultaneamente (sofá ou online) para uma batalha frenética de vida ou morte, onde apenas o melhor sobreviverá e se tornará vencedor… até a luta seguinte começar.

Ao iniciar o jogo, o jogador cai em movimentação livre em uma tela onde vários jogadores podem se conectar para uma partida local, usando teclado e controles. Essa opção é interessante para se familiarizar com os controles, a movimentação do personagem, bem como o princípio do combate com as mãos e o bloqueio, porém como não há nenhum tutorial apresentável, é preciso que o jogador descubra os comandos por si mesmo, ou visualizando o mapeamento de teclas. Com comandos simples, preciso e responsivos, Stick Fight: The Game faz com que o principal aspecto do jogo não seja falho, demonstrando o comprometimento dos desenvolvedores com um jogo de qualidade e muito divertido.

Há também, após a tela inicial, a possibilidade de jogar online, seja em uma partida aleatória, ou pode ser host de uma partida online com seus amigos. Com a necessidade de uma conexão responsiva aos movimentos rápidos e intensos das partidas, a Landfall West fez muito bem seu dever de casa. Os servidores são estáveis, e não houve problemas de conexão durante as partidas, nem mesmo nosso querido lag, o que tornaria o segundo principal aspecto do jogo, a conectividade online, frustrante e desestimulante para o jogador. Em vez disso, em todas as partidas online, todos os golpes, tiros, pulos e façanhas épicas foram registrados instantaneamente, não havendo atrasos para as respostas dos comandos.

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Munidos inicialmente apenas com seus punhos, os jogadores devem enfrentar não apenas seus oponentes, mas também as adversidades dos cenários, que apresentam constantes mudanças e ameaças. Há 80 níveis em que os jogadores poderão se enfrentar, cada uma deles é incrivelmente variado, cheios de obstáculos, atalhos e esconderijos para se proteger ou caçar seus adversários, que podem ser usados tanto em seu benefício, quanto de seus inimigos, contando com bolas de espinho que esmagam qualquer personagem em seu caminho, barras giratórias que arremessam ou protegem os lutadores, lasers que caem do céu, esteiras que trazem caixas para atrapalhar seu caminho, as possibilidades são absurdas e totalmente imprevisíveis, o que torna o jogo mais dinâmico e estratégico.

Fixo na tela, os cenários são geralmente compostos por uma plataforma flutuante ou suspensa, que, na maioria dos casos, pode ser totalmente destruída, o que abre um abismo onde os jogadores devem ser extremamente cuidadosos para não caírem. Para evitar isso, o jogo contém a mecânica de um “parkour” diferenciado, onde, ao realizar um salto simples (não há salto duplo), o jogador pode se agarrar na parede para um salto extra. Durante o combate, diferentes tipos de armas são entregues ao jogador, caindo do céu aleatoriamente, onde o jogador melhor posicionado terá vantagem para agarrá-la. De espadas a rifles de precisão, metralhadoras e lança-chamas, essas armas causam uma vantagem tremenda a quem obtê-las, podendo causar destruição total no cenário e deixando-o ainda mais ameaçador. Porém, use-as com sabedoria, pois as munições são escassas.

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Cada golpe conecta-se com uma física impressionante, que deixa o jogo muito mais divertido. A sensação é que podemos sentir a energia transmitida com um soco no meio do estômago de nosso adversário, que é empurrado momentaneamente para longe, ou de uma metralhadora que praticamente anula a reação do inimigo. O combate é frenético e caótico, e isso não é uma queixa! A velocidade com que as partidas andam varia de poucos segundos até épicos minutos (apesar de muito raros), e a compulsão de continuar jogando após vencer aquele jogador que te derrotou 11 vezes seguidas é absurda. Contudo, para pessoas que estão apenas começando com o jogo, a velocidade com que ele se apresenta pode ser intimidadora. Em minha primeira partida, durei míseros três segundos, enquanto outros dois jogadores pulavam e atiravam pela tela descontroladamente tentando derrubar o outro da plataforma. Após isso, peguei a prática do jogo rapidamente, pois, devido à sua simplicidade de comandos, é fácil entender os movimentos e artimanhas das batalhas. Também, nas partidas online, não há um tipo de seleção específica para nível de experiência no jogo, ou seja, você poderá cair, na sua primeira partida, contra jogadores muito experientes, que farão de você apenas um espectador em seu combate, podendo tornar a experiência frustrante para alguns.

Acompanhado por uma batida eletrônica viciante e que estimula ainda mais o caos das partidas, de visual simples e leve, porém polido e bem trabalhado, Stick Fight: The Game demonstra um trabalho fenomenal da Landfall West. Apesar de não conter nenhuma história específica (você pode pensar numa, é fácil, imagine uma revanche virtual contra aquela pessoa que te derrotou no último minuto de FIFA) e ser focado totalmente em multijogador, o jogo apresenta, de forma simples, uma jogabilidade altamente viciante, onde cada batalha deixa um gostinho de “quero mais”, com controles precisos e responsivos, uma ambientação que estimula os sentidos e uma trilha sonora que dita o ritmo insano em que cada partida é carregada, Stick Fight: The Game é um jogo para xingar, gritar, se aborrecer, pular, se contorcer, comemorar e morder loucamente a língua enquanto estraçalha seus adversários (ou eles você…).

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